Friday, April 6, 2012

Dos gestos






Vejo-me a tê-los, sempre tão parecidos!

Quando chego a um lugar "não meu" e tem ervas e campo
arranjo uma garrafa, uma jarra, uma coisa qualquer - e faço-o como meu.

(talvez por isso tão difícil perder "hábitos" também de pessoas).

Saturday, March 31, 2012

Circunvoluções


cerebrais
circunvalações mentais
ou eu sempre no "Nó do Problema"

"The Heart of the Matter" de Graham Greene

O que foi feito não se pode refazer
o que foi refeito não se pode desfazer
o que não foi feito não se pode fazer
nem desfazer.

Tuesday, March 27, 2012

Semanas




...quantas?

Fogem-me amores em Março.
Translúcidas as formas.
Antigas já.

Tuesday, March 20, 2012

15 dias de ausência


São as palavras pequenas
para tanta
A AUSÊNCIA,
mãe.

(hoje de manhã dizias-me isto, calada,
no olhar do quadro antigo, no corredor)

Tuesday, March 6, 2012

A Mãe Terra


...era uma vez uma pedra
na floresta. Ao sol da vida.

Foi uma vez, tantos os anos risonhos, tantos os dias confusos.

Os olhos das cores
sem cor nem vida.
Para onde me fugiram os olhos cor de floresta sombria
da minha mãe?

Wednesday, February 22, 2012

Mãe


Estás amparada, mãe,
dos milhões de gestos e atitudes que tiveste tantos anos.
Dos frágeis, dos inesperados, dos casuais, dos femininos, dos egoístas, dos generosos.
Das contas indizíveis, mãe, das convenções.

Estás amparada na almofada do tempo
esperando o nosso tempo de viagem
- o que, em última instância, me vieste pedir.
Que resolvesse a tua vida. Que levasse, decidisse, empacotasse, cortasse.
Pudeste sempre contar comigo e serviste-te sempre disso.
Foi uma inversão de valores, mãe.

O que previa há muito tempo e há um mês. E tanto to disse.
Que a vida à nossa volta é sempre feita de injustiças: a nossa missão própria é procurarmos ser justos nós, com os outros.

Monday, January 23, 2012

Combates

para tão curta, a vida

tantas as batalhas

as formas


os pesos e medidas
Como se o tempo de cada um não fosse finito.

Saturday, December 10, 2011

Do poço da ingenuidade


"Edição da Mocidade Portuguesa Feminina"!!!

Escrita ainda com pena e aparo...

Com o toque clerical que aprendia na escola - que em casa não entravam santismos!

Escritas fugidas ao tempo desencantado actual.
Que agora tudo se trafica nos traficantes e hiper-modelos.
O não comércio, a falta de dinheiro ou de oferta, o que era feito pelas nossas mãos pequeninas.
Saltam-me às mãos as pequenas coisas da ternura.
Tinha tão poucos anos ...

Friday, December 9, 2011

Do poço


Confio cegamente
nas ervas que flutuam vindas de um grão de nada
talvez um pouco de terra
um pouco de sol

e a profundidade de um poço.
Não se sentem aprisionadas.

Thursday, November 17, 2011

Azul-lar


Ao chamamento
respondo com esta casa que nos olha de frente,
acolchoando sardinheiras em vaso esquecido,
na espera das peças de roupa antiga.

Esta, virada à claridade calada de quem não vem.

Tuesday, November 1, 2011

Casa de abandono


Quando?

Por que razão
e onde, em que ensolarado lugar,
abandonaste a casa?

(alguma) A claridade



Segura a janela, minha árvore ferida e generosa.
Enquadra-a e realça-a.
Acolhe os pássaros, não os ouves?

Segura alguma da luz, mesmo com grades.

Wednesday, October 19, 2011

Tardias férias




... mas belas como uma abóbora-menina
de sol amarelo achado nas dunas
(que nunca se transformou em coche)

Intensas, inesperadas, desprendidas,
distraídas como aves e pedras roladas na maré.
Aporto agora, mal.
Encalho nos dias comuns e mesmo nos incomuns.

Tuesday, August 16, 2011

Ilha






Quem semeia, quem produz nos pequenos socalcos que temos e somos?
Quem vê um mar constante, constante-a-mente?
Incorrigível, continuo:

(a)guardar uma ILHA que (es)tivesse a (re)tenção da LUZ.


Saturday, August 6, 2011

Up side down




Tenho visto tanto
tanto lixo
nos montes nas mentes
- não artístico, mesmo objecto-abjecto

que me pergunto se não serei eu que estou de pernas para o ar
(e todos, todos, pais, filhos, primos, irmãos, televisões, jornais e as novas tecno-várias
certos!)

... e só me apetece ficar calada entre cabelos e espelhos partidos.
Tipo astro-longe.

Monday, June 13, 2011

Apontar






...os olhos, do mesmo lado e no caminho circular do Cabo da Roca.

Quando olho uma casa que vê o mar
e abandono,
é dos vidro que o reflectem que me desejo dela,
eu dentro.

(e este ano igualmente, o lugar mágico e a torneira muda de ferrugem)

Wednesday, May 4, 2011

Do outro lado




...faz, por agora e dias, 5 anos.

De ingenuidades.

Ah! mas se o que eu quero é a terra
os espaços
escrever só com o olhar enquanto os olhos

ver o indizível

ouvir só com os olhos enquanto abertos

beber sons que não sei

Friday, April 15, 2011

São gigantes...


Os tempos bonitos de passear, as pedras, as amigas e o longe.
Mas.
Há os moínhos que moem em seco a vida da gente. Descentradas as velas.

E fica tudo desfocado.
(cuidado então com os paus e os tropeços do tempo)

Thursday, March 31, 2011

Um repentino


(este é mesmo para mim-lembrança de alguma claridade)

Que se vir uma pequena luz ao fundo do túnel
não a devo desperdiçar
por nada nem ninguém!

(em utopias de utópicos futuristas)

Wednesday, March 30, 2011

Contudo, e quase sem nada




... penso ainda que virá um barco com peixe
a rir-se a gente
a vela solta ao mundo do vento
e traz novas de meus amigos

ponho-me à escuta das águas
com os olhos numa estrada
difusa e sem peso

onde só eu posso caminhar
em pensamento
OU
onde eu só posso caminhar
OU
onde só o pensamento pode caminhar

Saturday, March 26, 2011

Do não-esquecimento

Nenhuma água lava a mágoa

a cancela em baixo
os ladrões do tempo
os muros onde amorosamente me encostei


Não perdôo o roubo de tantas horas felizes
que me fizeram alguns alguéns

por maldade, poder, fingimento

nada as trará de volta

Monday, March 14, 2011

Ninho


Hoje pensava num lugar, numa casa na árvore
ou, não podendo ser como nos filmes,
a ver árvores, perto.
Onde os pequenos rebentos pudessem ser acariciados, espreitados a ir crescendo.

E num momento, apareceu-me esta fotografia: tirada há precisamente dois anos.