O Outono é um esplendor de cores em gradações de amarelos, castanhos, ocres, vermelhos. Deverei ter por aqui e ali, no Sul e no Douro, mil fotografias desse adeus da estação mais calma, mais introspectiva, do ano. A que prefiro.
Mesmo o Sol se inclina para "amarelar" e cair oblíquo, pincelando as telhas, as trémulas folhas das videiras, das árvores e o horizonte.
De repentes, a escolher ideias para um passatempo, dou conta da necessidade de dizer como a minha vida se "está a sentir amarela". Brincadeira (a sério a balbuciei) que disse aos amigos - o Belo e a Alice - com quem ia de carro para o campismo, há muito, muito tempo; e eles repetiram tantas vezes a frase da criancinha 4/5 anos?, porque enjoava sempre a andar de automóvel.
Hoje, muitas coisas me enjoam. Digo amarela como podia dizer enfadada.
Um enjôo psíquico que avança e se torna físico. Mesmo.
Encontros.
Estes instantes acima têm mais de 10 anos.
Em baixo, este tempo de folhas mortas, este Alentejo de agora. E a semelhança em que me encontro.
Saturday, September 28, 2019
Friday, September 6, 2019
Deve ser...
...um indício da muita idade: cada vez mais me lembro de coisas antigas, ditos, músicas, estados, gente.
De manhã, tarde da manhã, claro! vêm-me à cabeça as letras inteiras de canções que ouvia, algumas nunca as cantei que eram do "antigamente" e perpetuavam a cinzenta e doentia forma de vida.
Mas outras são simples apontamentos de quem sempre gostou de música e outras tantas coisas que se mantêm, comigo e de mim. Como "Alentejo da minh'alma, que longe me vais ficando" ou "Aquela janela, virada p'ró mar". Muitas, brasileiras também.
As francesas e inglesas foi mais tarde.
Mas hoje lembrei-e foi de: "Falta de chá em pequeno". Não faço ideia donde vem o dito, sei que era sobre "falta de educação". E cada vez mais vejo e sinto as pessoas assim. Olho à volta, conto-as. Exceptuando o que penso das que "desapareceram do mapa", mortas ou afastadas (um dia me dará para falar delas), quase todas assim são, diria: brutas. Porque a delicadeza, a atenção pelos outros, a gentileza... puff, foi um ar que lhe deu!
Por aqui ando, juntando cacos.
De como sempre gostei das pedras e da natureza: foto que só tenho em tamanho muito pequeno, e desfocada. Tirada pela Tuxa, uma grande amiga à época. Sei de cor como era o meu vestido e o lugar onde a captou
Este grupo enorme, em Salgueiros, hoje falava dele noutro lugar: onde andam, tirando os que sei que morreram? que lembranças terão, ou nenhumas? Há um hiato na minha adolescência nesse período, fotos que outros tiravam e nunca vi, fotos perdidas.
Relembro algo de que gosto muito:
"If I know a song of Africa...does Africa know a song of me?" - Karen Blixen, no seu livro "Out of Africa"
Quando e como, os comboios em Coimbrões passavam à hora certa, e eram raros, se é tão jovem que a morte não existe...
De luz na sombra: que o meu cérebro se apague antes porque pensar é, muitas vezes, sofrimento
Aqui estão: uma pedra-fóssil, um minúsculo baú pintado por dentro, a querida L. comigo a rir, num caminho do sul, três pequenas estatuetas de deusas indianas, duas caixinhas com bonecas índias da Guatemala, um quadro de Picasso vindo de Londres, uma estrela de contas roxas, o menino pequeno cheio de caracóis
(acho que tive chá a mais, em pequena)
De manhã, tarde da manhã, claro! vêm-me à cabeça as letras inteiras de canções que ouvia, algumas nunca as cantei que eram do "antigamente" e perpetuavam a cinzenta e doentia forma de vida.
Mas outras são simples apontamentos de quem sempre gostou de música e outras tantas coisas que se mantêm, comigo e de mim. Como "Alentejo da minh'alma, que longe me vais ficando" ou "Aquela janela, virada p'ró mar". Muitas, brasileiras também.
As francesas e inglesas foi mais tarde.
Mas hoje lembrei-e foi de: "Falta de chá em pequeno". Não faço ideia donde vem o dito, sei que era sobre "falta de educação". E cada vez mais vejo e sinto as pessoas assim. Olho à volta, conto-as. Exceptuando o que penso das que "desapareceram do mapa", mortas ou afastadas (um dia me dará para falar delas), quase todas assim são, diria: brutas. Porque a delicadeza, a atenção pelos outros, a gentileza... puff, foi um ar que lhe deu!
Por aqui ando, juntando cacos.
De como sempre gostei das pedras e da natureza: foto que só tenho em tamanho muito pequeno, e desfocada. Tirada pela Tuxa, uma grande amiga à época. Sei de cor como era o meu vestido e o lugar onde a captou
Este grupo enorme, em Salgueiros, hoje falava dele noutro lugar: onde andam, tirando os que sei que morreram? que lembranças terão, ou nenhumas? Há um hiato na minha adolescência nesse período, fotos que outros tiravam e nunca vi, fotos perdidas.
Relembro algo de que gosto muito:
"If I know a song of Africa...does Africa know a song of me?" - Karen Blixen, no seu livro "Out of Africa"
Quando e como, os comboios em Coimbrões passavam à hora certa, e eram raros, se é tão jovem que a morte não existe...
De luz na sombra: que o meu cérebro se apague antes porque pensar é, muitas vezes, sofrimento
Aqui estão: uma pedra-fóssil, um minúsculo baú pintado por dentro, a querida L. comigo a rir, num caminho do sul, três pequenas estatuetas de deusas indianas, duas caixinhas com bonecas índias da Guatemala, um quadro de Picasso vindo de Londres, uma estrela de contas roxas, o menino pequeno cheio de caracóis
(acho que tive chá a mais, em pequena)
Wednesday, June 19, 2019
Pensamento sem ponta por onde se lhe pegue
Gosto e encontro associações, pessoas ou coisas. Faço-as sem querer, às vezes bem tolas! Isto porque o tempo, os acontecimentos (cimentos...), mostram ou acontecem, ou porque por vezes me fazem comentários, gente de quem não conheço, nem rasto,
com grandes máximas sobre amizade, poesia, literatura... sei lá que mais!
Hoje, com uma das frases-comentário no meu lugar-outro, apareceu-me um pensamento como resposta:
A amizade é como o cimento: precisa da mistura certa e tempo de maturação. E pode-se sempre esquece-la ou deitá-la abaixo com as marretadas da vida
Pouco poético!!!
E há-de aparecer-me uma fotografia "com cimento", do Paraíso e do Monte da Virgem...
Que de amizades tenho muitas, por ex. esta, no Homem do Leme
Notável: estas fotografias, fiz agora as contas, têm mais de 50 anos!
com grandes máximas sobre amizade, poesia, literatura... sei lá que mais!
Hoje, com uma das frases-comentário no meu lugar-outro, apareceu-me um pensamento como resposta:
A amizade é como o cimento: precisa da mistura certa e tempo de maturação. E pode-se sempre esquece-la ou deitá-la abaixo com as marretadas da vida
Pouco poético!!!
E há-de aparecer-me uma fotografia "com cimento", do Paraíso e do Monte da Virgem...
Que de amizades tenho muitas, por ex. esta, no Homem do Leme
Notável: estas fotografias, fiz agora as contas, têm mais de 50 anos!
Monday, May 20, 2019
Criança do sonho
As crianças
espreitam o mundo
Sobem a vida com as suas asas pequenas
"Dois anos e tal"
São fazedores,
escritores de sonhos.
Revive-se.
Nos arcos da memória.
espreitam o mundo
Sobem a vida com as suas asas pequenas
"Dois anos e tal"
São fazedores,
escritores de sonhos.
Revive-se.
Nos arcos da memória.
Tuesday, May 7, 2019
Intervalo para borboletas
Digo até já
às flores, às cores, às estantes de tantos livros e apontamentos
a estes lugares e pessoas, terras daqui e esquinas dacolá, onde a âncora se prende há meses
Vem-me pousar, minha bela borboleta!
às flores, às cores, às estantes de tantos livros e apontamentos
a estes lugares e pessoas, terras daqui e esquinas dacolá, onde a âncora se prende há meses
Vem-me pousar, minha bela borboleta!
Wednesday, April 24, 2019
Se
Quando olhares o céu à noite e vires estrelas, em uma delas estaremos, olhando por ti e para ti.
Porque a imagem demora tanto tempo a chegar à estrela, milhões de anos luz, os nossos gestos de amor permanecerão lá.
Quando a gaivota voar na praia, lembrarás a "gaivota remota que queria ir para o campo". E o "peixinho que queria ver o sol".
Do futuro te deixamos. Apenas isto.
Minha menina amada.
Porque a imagem demora tanto tempo a chegar à estrela, milhões de anos luz, os nossos gestos de amor permanecerão lá.
Do futuro te deixamos. Apenas isto.
Minha menina amada.
Wednesday, April 17, 2019
O passado
Este lugar é reservado às penas e contradições. Mostra mais do que sinto que as palavras e actos. Sou uma sombra-sombria do que fui e não me reconheço. As alegrias são falsas e vêm de fora. Dentro, um desânimo de ânimo.
Por vezes, encontro palavras de outros, imagens, que depois sonho em sonhos ou pesadelos.
Como se andasse pelas cidades onde estive dantes e tudo me espantava e enternecia. Passeio-me por reflexões e pensamentos, incapaz de viver a realidade sem azedume do passado.
1972
1973
2015
Um caminho com pedras e alguns verdes. No últimos anos, o mar e a lonjura, o prazer único de estar longe.
2017
Citações retiradas do filme "Reviver o Passado em Montauk", do realizador Volker Schloendoeff. O filme baseia-se no livro autobiográfico do escritor suíço Max Frisch, publicado em 1974.
"Só há duas coisas que importam, as coisas que lamentamos ter feito, aquilo que não podemos desfazer, e as coisas que não fizemos e devíamos ter feito, e que também lamentamos mas agora já é tarde.
É fácil dizer que essas coisas não têm importância, porque já passou, mas têm.
Isso na verdade é aquilo que importa. As coisas entre umas e outras não importam para nada."
Suponho, e ouço, e leio, e vejo, que não deva ser assim.
Por vezes, encontro palavras de outros, imagens, que depois sonho em sonhos ou pesadelos.
Como se andasse pelas cidades onde estive dantes e tudo me espantava e enternecia. Passeio-me por reflexões e pensamentos, incapaz de viver a realidade sem azedume do passado.
1972
1973
2015
Um caminho com pedras e alguns verdes. No últimos anos, o mar e a lonjura, o prazer único de estar longe.
2017
Citações retiradas do filme "Reviver o Passado em Montauk", do realizador Volker Schloendoeff. O filme baseia-se no livro autobiográfico do escritor suíço Max Frisch, publicado em 1974.
"Só há duas coisas que importam, as coisas que lamentamos ter feito, aquilo que não podemos desfazer, e as coisas que não fizemos e devíamos ter feito, e que também lamentamos mas agora já é tarde.
É fácil dizer que essas coisas não têm importância, porque já passou, mas têm.
Isso na verdade é aquilo que importa. As coisas entre umas e outras não importam para nada."
Suponho, e ouço, e leio, e vejo, que não deva ser assim.
Sunday, March 10, 2019
A pequena mãe
7 anos passaram desde que fiquei orfã, mãe e pai.
Deles me lembro todos os dias, ora "por causa das abelhas", ora pela Natura... ora por causa do "Dia da Mulher" ou as comidas, ou
as faltas-tantas, desgostos-demais!
A neta (mais) linda fez dois anos, como haveria de gostar dela!
Já foi Carnaval. E a minha mãe não era nada de carnavais, nem de cantar.
Do dia da mulher, só mesmo os muitos dias que passou em opressão (eufemismo: não morremos nós, as três mulheres da casa, por sorte).
Eu, que não tenho nenhuma fotografia ou pose de mascarada, festejo na pequena O. o que o pai dela, meu avô, fez e emoldurou com gosto!
À "Vianesa", nem que data foi nem que idade tinha: apenas "penso em ti"!
Deles me lembro todos os dias, ora "por causa das abelhas", ora pela Natura... ora por causa do "Dia da Mulher" ou as comidas, ou
as faltas-tantas, desgostos-demais!
A neta (mais) linda fez dois anos, como haveria de gostar dela!
Já foi Carnaval. E a minha mãe não era nada de carnavais, nem de cantar.
Do dia da mulher, só mesmo os muitos dias que passou em opressão (eufemismo: não morremos nós, as três mulheres da casa, por sorte).
Eu, que não tenho nenhuma fotografia ou pose de mascarada, festejo na pequena O. o que o pai dela, meu avô, fez e emoldurou com gosto!
À "Vianesa", nem que data foi nem que idade tinha: apenas "penso em ti"!
Thursday, December 20, 2018
Avós
Homenagem a pessoas simples. Dezembro 1938: morria o avô Antero.
Dele, só sei das fotografias, sempre sério. Do que diziam, sei que era bom.
De 6 filhos, apenas ficou a minha mãe. Do fundo do tempo, eu surgi, por ela, que tinha 18 anos.
1978. Ao avô Antero, de quem actualmente ninguém lembra o nome, nasceu-lhe um bisneto, meu filho. Neste tempo presente, 80 anos passados, há uma neta nossa que tem os azuis de olhos familiares.
Dos ramos, podados que são, folhas novas.
Em números de oito(s) me movo, em infinitos.
48, 58, 68, 78, 88, 98: receei este ano, ainda não acabado.
Da correcção corajosa com que viveram a vida, num outro século, ficou-me também esta tristeza séria, este modo de ser.
Dele, só sei das fotografias, sempre sério. Do que diziam, sei que era bom.
De 6 filhos, apenas ficou a minha mãe. Do fundo do tempo, eu surgi, por ela, que tinha 18 anos.
1978. Ao avô Antero, de quem actualmente ninguém lembra o nome, nasceu-lhe um bisneto, meu filho. Neste tempo presente, 80 anos passados, há uma neta nossa que tem os azuis de olhos familiares.
Dos ramos, podados que são, folhas novas.
Em números de oito(s) me movo, em infinitos.
48, 58, 68, 78, 88, 98: receei este ano, ainda não acabado.
Da correcção corajosa com que viveram a vida, num outro século, ficou-me também esta tristeza séria, este modo de ser.
Wednesday, November 7, 2018
O Casaco
Passam meses, passam anos.
Acho que só tenho uma maneira de viver de acordo comigo: repartir, coisas ou sensações. Pelo bem, pelo bem, trá-lá-lá...
Tenho pensado nos últimos anos que "se me retornasse tudo o que dei" na vida, seria uma pessoa mais rica, seguramente. Decisão de (algumas) pequenas arrumações, que as grandes são de outros tempos atrás: listas que fui fazendo, propósitos, que ia riscando à medida de os ter feito. Passos gigantescos, memórias agarradas como musgo antigo.
Desta vez, entre outras coisas, o "casaco de redingote"! Fui ver o termo que me ocorreu mal peguei nele, tantas são as vezes que palavras recuadas no tempo e tão estranhas me surgem no pensamento.
Do inglês: casaco de equitação riding coat e do francês: redingote sobre casaca.
Apareceu guardado desde um casamento há mais de 25 anos.
O noivo morreu há muito tempo, a noiva contente, que vou vendo às vezes, está baça e chupada como uma castanha pilada, não necessariamente por causa da falta do marido mas porque as pessoas têm percursos insondáveis. Um caminho aos zig-zags, complicado, mas qual o não é? Neste caso, um despropósito da vida, onde se nota "a cruz" assumida, de uma parecença ou marca familiar marcante. Do filho, uma criança encantadora nos primeiros tempos, não me recordo de o ver nos últimos anos; e o que sei agora não é de molde a querer sequer trocar olhares ou palavras com ele.
Comprado para a ocasião, poucas vezes foi usado, visto que me tornei prática, caseira e desempregada, pouco tempo depois.
Eis o que vai... e fica a marca neste lugar escondido, de poucas palavras, mas que hoje me apeteceu de "muitas".
Nenhuma "pobrezinha" o poderá vestir, a menos que sirva de cobertor a um sem-abrigo.
As ironias que me assaltam e que só posso confessar a mim mesma: tanta blusa, tanto fato, tanta carteira em couro, tanta secretária-gerente-sócia. Puff.
Tantas coisas de que já me livrei e outras tantas para me livrar!
Adeus "redingote"!
Acho que só tenho uma maneira de viver de acordo comigo: repartir, coisas ou sensações. Pelo bem, pelo bem, trá-lá-lá...
Tenho pensado nos últimos anos que "se me retornasse tudo o que dei" na vida, seria uma pessoa mais rica, seguramente. Decisão de (algumas) pequenas arrumações, que as grandes são de outros tempos atrás: listas que fui fazendo, propósitos, que ia riscando à medida de os ter feito. Passos gigantescos, memórias agarradas como musgo antigo.
Desta vez, entre outras coisas, o "casaco de redingote"! Fui ver o termo que me ocorreu mal peguei nele, tantas são as vezes que palavras recuadas no tempo e tão estranhas me surgem no pensamento.
Do inglês: casaco de equitação riding coat e do francês: redingote sobre casaca.
Apareceu guardado desde um casamento há mais de 25 anos.
O noivo morreu há muito tempo, a noiva contente, que vou vendo às vezes, está baça e chupada como uma castanha pilada, não necessariamente por causa da falta do marido mas porque as pessoas têm percursos insondáveis. Um caminho aos zig-zags, complicado, mas qual o não é? Neste caso, um despropósito da vida, onde se nota "a cruz" assumida, de uma parecença ou marca familiar marcante. Do filho, uma criança encantadora nos primeiros tempos, não me recordo de o ver nos últimos anos; e o que sei agora não é de molde a querer sequer trocar olhares ou palavras com ele.
Comprado para a ocasião, poucas vezes foi usado, visto que me tornei prática, caseira e desempregada, pouco tempo depois.
Eis o que vai... e fica a marca neste lugar escondido, de poucas palavras, mas que hoje me apeteceu de "muitas".
Nenhuma "pobrezinha" o poderá vestir, a menos que sirva de cobertor a um sem-abrigo.
As ironias que me assaltam e que só posso confessar a mim mesma: tanta blusa, tanto fato, tanta carteira em couro, tanta secretária-gerente-sócia. Puff.
Tantas coisas de que já me livrei e outras tantas para me livrar!
Adeus "redingote"!
Monday, July 30, 2018
Há mais marés que marinheiros
... e há muitos dias, demasiados, "assim".
Em que a maré vaza e o entardecer dos tempos, como a idade e os acontecimentos, sem agrado nem apelação,
me impedem de ver as belezas no dia de hoje.
Volto atrás.
Se penso em distanciar-me,
recuo.
Em que a maré vaza e o entardecer dos tempos, como a idade e os acontecimentos, sem agrado nem apelação,
me impedem de ver as belezas no dia de hoje.
Volto atrás.
Se penso em distanciar-me,
recuo.
Sunday, July 22, 2018
Os cartazes (recuperados) algures
Não só as paisagens
não só as comidas as flores as cores.
Há pequenas coisas, apontamentos, que acontecem e é como se visse/encontrasse gente amada e conhecida.
Assim foi nesta viagem de jardins. Isto no restaurante onde o sarrabulho é feito como sempre e parar lá, à beira rio, comer e descansar os olhos, é como sair (dos prédios), tempo e espírito voando, para trás.
Tal o tempo destes cartazes, da esperança, do muito trabalho e entrega, das horas altas da noite, dos segredos, idas e vindas. Abril 1974 em diante, um fulgor.
Hoje, um pouco dobrados estamos todos mas que haja alguém que recorde.
Num lugar improvável, fiquei feliz por os encontrar.
não só as comidas as flores as cores.
Há pequenas coisas, apontamentos, que acontecem e é como se visse/encontrasse gente amada e conhecida.
Assim foi nesta viagem de jardins. Isto no restaurante onde o sarrabulho é feito como sempre e parar lá, à beira rio, comer e descansar os olhos, é como sair (dos prédios), tempo e espírito voando, para trás.
Tal o tempo destes cartazes, da esperança, do muito trabalho e entrega, das horas altas da noite, dos segredos, idas e vindas. Abril 1974 em diante, um fulgor.
Hoje, um pouco dobrados estamos todos mas que haja alguém que recorde.
Num lugar improvável, fiquei feliz por os encontrar.
Sunday, July 8, 2018
Coisas de Lisboa
Nas passagens, ou como se usa para proteger as dunas da praia onde desagua a memória, "nos passadiços" de mim, vou cobrindo as noites, vou cobrindo as claridades.
Com coloridos do mundo
Pouco ouvindo e pouco falando, os meus olhos adquiriram uma maior acuidade e algures no meu cérebro são arquivados os slides momentâneos, as imagens, como uma corrente. Para trás, muitas pontas soltas, tantas vezes recuperadas nos sonhos, nos intervalos solitários.
Queaquivêm. Ou vêem.
Com doçura, escolho os pássaros da menina, imaginados há tempos, há quase um ano, de passagem por Mértola
Procuro uma tartaruga simpática, encontro os peixes a rir.
Viajo pelos sítios que conheci e pelos que nunca conhecerei.
De passagem rápida na FIA, Lisboa.
(à procura, sempre procurando as chinelas japonesas Zari Tatami que, tal como as sabrinas, fazem parte do meu imaginário de simplicidade).
Com coloridos do mundo
Pouco ouvindo e pouco falando, os meus olhos adquiriram uma maior acuidade e algures no meu cérebro são arquivados os slides momentâneos, as imagens, como uma corrente. Para trás, muitas pontas soltas, tantas vezes recuperadas nos sonhos, nos intervalos solitários.
Queaquivêm. Ou vêem.
Com doçura, escolho os pássaros da menina, imaginados há tempos, há quase um ano, de passagem por Mértola
Procuro uma tartaruga simpática, encontro os peixes a rir.
Viajo pelos sítios que conheci e pelos que nunca conhecerei.
De passagem rápida na FIA, Lisboa.
(à procura, sempre procurando as chinelas japonesas Zari Tatami que, tal como as sabrinas, fazem parte do meu imaginário de simplicidade).
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