Wednesday, August 26, 2015

Paris à volta de,

A tentar manter o equilíbrio, do que gosto e desgósto (errado? mas não é desgôsto, é mesmo desgósto).


Pesam-me ausências na cabeça,
pesa-me silêncio vazio no "permanecer", apesar de.

 

Friday, August 7, 2015

De Agosto

...levo o desejo.
De Paris au mois d'août.
"Pour te dire je t'aime/aussi loin que tu sois/une part de moi-même/reste accrochée à toi"
Je me souviens de tous les mots, des chansons, des boulevards, de la jeunesse, de la tendresse.









Revenir. Jusqu'à la fin des jours.


Wednesday, June 17, 2015

Junho (a)meia-se

"As coisas não são como tu as queres 
mas como elas se apresentam"

Lembrei-me deste dito do meu pai, quando me queria contrariar; e eu que via sempre tudo por alegorias e era "um espírito de contradição" (este era um dito da minha mãe!).
Assim
vejo a árvore-morta-que-ficou-escultura

os raios dos poentes metáforas-de-adeus entre os brilhos da tarde

as flores-alface
Apresentam-se como são, vejo-as como as imagino.




Sunday, May 3, 2015

... e Maio arranca

No labirinto das semanas e no compassado rodar dos dias.
Entre cá e lá, fora e dentro, como diria a Vitorinha.
Foi dia da mãe na 5ª feira: e do pai. Tratei do resto, das pessoas ligadas, do que me cabia escutar de memórias de outros. Despedi-me do rádio do início dos anos 60, o que tinha FM e onde ouvia o "Em Órbita", o "Alegria ao Volante"...



Tive o gosto de visitar devagar esta galeria - e outras - e outros. Cabeça e pensamento interior, de volta e à volta, com que tempo soltarei as "minhascoisassoltas"?

Saturday, April 11, 2015

... Abril vai

E o meu coração balança e bate.
No ritmo dos calores e ventos que vieram de repente.
E na pressa de rever os lugares tão especiais, os que fizeram os meus verdes anos e os meus inquietos 40. Cogito nas minhas décadas e todos os desejos de mudança que fui atravessando ou sendo empurrada pelos acontecimentos.
"...toda a quimera se esfuma
     como a brancura da espuma
    


que se desmancha na areia."
(mais uma canção antiga! e no passado revejo tantas lições)
    

Thursday, March 12, 2015

Março chega

... com os seus ventos de mudança, o pólen inquieto que muda de lugar, as sementes que voam para um regaço de terra que as acolha. Como acolhe a morte, recebe a vida.


Que encontro marcar a uma pedra caída?


1 de Fevereiro é passado sem que consiga explicar a madrugada que tive, e porquê, o dia que era domingo e assim ficou, aberto na inquietude. Porque tudo deveria ter um princípio, um meio e um fim.
Se olhar o musgo dos anos passados, ele ainda me olha.


Por mais que se fique pardo e parado, confuso, há sempre o mundo que gira à volta e se fia nos fios das Parcas.

Thursday, February 26, 2015

O 25 de Fevereiro

... Anos como ondas. Nuvens como anos.




Olho o céu aqui, numa nesga dele, as dispersas nuvens em ondas que vêm dali. Passam o mar de todas as águas, os canaviais que já não estão, o "Monte Caulino" que deixou de existir, as camélias brancas que ninguém colherá por e para mim, os caminhos de praia e as pedras da vazante.





Tenho pena de não acreditar na vida depois da morte, sinceramente. Para sempre calados os segredos com os amigos desaparecidos.
Gostaria de dar uns abraços, ajustar umas contas em dívida ou em dúvida, sei lá... saber respostas a perguntas soterradas.
Mas muito especialmente, pensando nos meus mortos-de-coração, ajustar umas ternuras e afagos que ficaram por resolver.

Sunday, February 1, 2015

Ecos

Há lugares que não levam a lado nenhum. 
Mesmo se em miragem e em tantos anos os pensei seguros.
A terra anónima



e a corrente dos anos, passam fugazes.

O céu que nos cobre não será visto. Apenas a nuvem negra e uma gaivota fora de sítio nos prende à memória.

Wednesday, January 28, 2015

Do frio e da estátua

Que enregela e encolhe.
Pensar que não mas fazer que sim.

Que os anjos se soltem como aves possíveis.

Thursday, December 4, 2014

Até logo

Há muito tempo que não conseguia parar junto da tua saudade.

Mas hoje deixei-te um sinal,
não só o pensamento: até logo, mãe. Ficam-te as cores que sabes que gosto

(perdidas, dadas, as coisas que gostavas tu, acharei eu alguma paz?)

Wednesday, November 12, 2014

Não havendo sinal para "infinito"



aqui nas teclas, não sabendo desenhar estas minhas interrogações, muitas de noite: em pesadelos,

pergunto-me, sempre e ainda

- quem levará as pedras com os escritos do tempo e dos lugares,
as todas que fui trazendo há tantos anos de tantos sítios diferentes com marcas e símbolos da terra da alegria de viajar e ver

- quem irá rasgar as cartas adolescentes dos amores e amizades os bilhetres de cinema avião os apontamentos poemas diários postais agendas

- quem verá as fotografias de papel desde que a bruma enchia as fotos a preto e branco as que não sei quem era o fotógrafo
até às todas presentes na memória em que do lado de lá está um olhar amigo amante compassivo alvoroçado feliz

- quem saberá donde vieram as caixas e caixinhas quando chegaram os livros as músicas imensas que tenho na cabeça e já não ouço

- que vento frio cortante dorido e final feito deserto sem caminho de retorno
me levará?


Tuesday, November 4, 2014

Do futuro?




Neste momento recordo:
- a solidão do ser
- a ternura que pode haver
... (se a bondade dos gestos for sincera)

Monday, November 3, 2014

"À espera de Godot"

Vulgarizou-se o termo da peça de Samuel Beckett, esperar o que "se espera" e demora, e nem se sabe se acontece.
Para mim, ainda antes de conhecer Beckett na minha adolescência, preferia agir a esperar. O tempo que se balança indefinido é-me mais penoso que o "acontecimento".
Ah... e geralmente não gosto de surpresas!
Mas o imponderável das ligações aos vários outros foram-me formatando os pés das decisões.
Já os tenho defeituosos e já me sinto manca nos dias.



Então recordo os contos da Carochinha da infância, esses pormenores que me ficaram na memória e que, tantas vezes, representam a realidade. Claro que pequenita era eu demais para saber "da realidade" e as suas faces perversas.
E por isso lembro mais agora a "Branca de Neve" e as suas perguntas ao espelho, a "Gata Borralheira" e o sapato de cristal, o "Príncipe com Orelhas de Burro" afinal inteligente.
Tal como o conto, de que não lembro o nome, em que a "fada má" fazia com que "a princesa, o palácio" ficassem adormecidos durante 100 anos. Todas as pessoas, os bichos... todas as coisas em estátua.

Sinto que nem 10 posso esperar!

Friday, October 31, 2014

A passagem do Outono




Com os seus passos tantas vezes ásperos,
a Vida e o Outono.
As cores gloriosas das lembranças, tal como hoje sinto o sorriso da minha mãe.

Saturday, September 6, 2014

Na saída de Setembro

... quero deixar aqui um até logo de pedras, um até breve de mares.
Para que os meus velhos se sintam acompanhados da menina que fui.
Sempre-gostando das mesmas coisas.
Como dizia eu mesma




não sei onde, aprendi o que era a Liberdade na primeira vez que tropecei numa pedra.
Não teria ainda 5 anos e foi também a primeira vez que fomos acampar.
Creio que foi neste lugar das pedras que falam.