Tuesday, September 25, 2012
Contar
...os meses e não acreditar. A morte é uma ausência inacreditável. Um terramoto exterior que tudo muda, um colapso interior que subverte o tempo.
Este falhar telefonar-te, perguntar, ouvir-te infinitas queixas, sem saber da última.
Esta falta de "tanto tempo de mãe" é demasiado contínua.
Todas as noites te falo mas todas as noites emudeces.
(olha, aqui verifiquei que as andorinhas cresceram e andam a treinar viagens, outras vidas,
mãe. Que dizes da ideia duma cor verde água para a entrada?)
Thursday, September 6, 2012
Ao meio, o ano
Mãe sabes que não te levo flores nas datas e tempos previstos mãe pensavas e dizias a outros "a minha filha sabe sempre o que há-de fazer"
não é verdade mãe olha que sem te ter perto há 6 meses sem perceber bem
tenho feito tudo por obrigação e instinto.
Achas que vá ver aquelas andorinhas de Maio, se já cresceram, se já partiram?
Monday, June 25, 2012
Pais
Hei-de passar o resto da minha vida sem vos perceber. Faz esta noite um mês que se juntaram num plano infinito.
Sem palavras, nem para mim nem um para o outro.
Se ao menos vos pudesse nascer uma árvore, uma planta, sobre a ausência!
(mas não, só oficialidades, papeis, lixo e pó; e o (in)clemente sol, a persistente chuva no vosso mármore)
Thursday, May 3, 2012
Maio-mês
Maio é belo na juventude, esplendor na saúde, promessa de outros ciclos diurnos, mais cálidos, mais longos.
Para quem sempre viveu o seu Maio intensamente como eu, com amigos, amores, fugas e desvios - e todavia voltava a este caminho conhecido - sinto este mês de grande sofrimento quando, afinal, a vida me transporta ao tempo das perdas.
Conto-os pelos dedos, ausentes.
Porque a Natureza se abre e o nosso lugar se fecha, sem os que se foram, com quem celebrámos Maio.
Não há rosas, nem lírios, nem azuis...
que nos confortem.
Saturday, April 28, 2012
... ou mente delicada
Estas coisas de coração decorativas de cor e acção
belamente inesperadas pelo tempo e trabalho, pelo improviso que ensaia encontrar gostos,
dão-me assim como que uma espécie de tépida ternura. E o correio também pode trazer ternuras, sem publicidade, sem contas - só mesmo sentimento almofadado
dentro de envelope.
A pequena felicidade que às vezes se toca: há panos com flores, há flores com panos, há só flores. De L., de A., de I., de M.
Já não me bordavam flores há que anos!
***
Saltam memórias de graça e juventude. E nunca perdoarei a mim mesma não ter "tentado" tirar uma fotografia a dois presentes com flores, isto num passado dos 30 anos, talvez até dos 20: um amigo que soube de repente que era o meu aniversário e foi ao mercado do Bom Sucesso. O gosto e o gozo que lhe deu ter comprado à vendedeira as flores, jarra e tudo, assim mesmo!
A outra vez foi ter chegado uma das minhas colegas derreada com "um monte", literalmente "a bunch of flowers", com as flores mais humildes-mais normais que a loja tinha nesse mês. Não era um ramo ... era um enorme apanhado de jardim inglês. Já lhes encontrei o rasto, nos quadros impressionistas.
Recuando ainda mais, um pequeno ramo de gardénias apanhadas de um arbusto, pousado ao lado da minha primeira máquina de escrever.
A memória pode ser perversa.
Sunday, April 15, 2012
Delicada a mente
Friday, April 6, 2012
Mês feito
Dos gestos
Saturday, March 31, 2012
Circunvoluções
Tuesday, March 27, 2012
Tuesday, March 20, 2012
15 dias de ausência
Tuesday, March 6, 2012
A Mãe Terra
Wednesday, February 22, 2012
Mãe
Estás amparada, mãe,
dos milhões de gestos e atitudes que tiveste tantos anos.
Dos frágeis, dos inesperados, dos casuais, dos femininos, dos egoístas, dos generosos.
Das contas indizíveis, mãe, das convenções.
Estás amparada na almofada do tempo
esperando o nosso tempo de viagem
- o que, em última instância, me vieste pedir.
Que resolvesse a tua vida. Que levasse, decidisse, empacotasse, cortasse.
Pudeste sempre contar comigo e serviste-te sempre disso.
Foi uma inversão de valores, mãe.
O que previa há muito tempo e há um mês. E tanto to disse.
Que a vida à nossa volta é sempre feita de injustiças: a nossa missão própria é procurarmos ser justos nós, com os outros.
Monday, January 23, 2012
Combates
Saturday, December 10, 2011
Do poço da ingenuidade

"Edição da Mocidade Portuguesa Feminina"!!!
Escrita ainda com pena e aparo...
Com o toque clerical que aprendia na escola - que em casa não entravam santismos!Escritas fugidas ao tempo desencantado actual.
Que agora tudo se trafica nos traficantes e hiper-modelos.
O não comércio, a falta de dinheiro ou de oferta, o que era feito pelas nossas mãos pequeninas.
Saltam-me às mãos as pequenas coisas da ternura.
Tinha tão poucos anos ...
Friday, December 9, 2011
Do poço
Thursday, November 17, 2011
Azul-lar
Tuesday, November 1, 2011
(alguma) A claridade
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