Ontem estava tudo calmo, sem ninguém, só sombras, formigas.
Mas tudo velho, ressequido do sol.
Teria muitas coisas para contar mas só me surgem interrogações.
Como pedras.
Mas falaríamos de meninas, também.
***
Deixei uma rosa branca e outra vermelha. Percebe-se.
Wednesday, September 14, 2016
Monday, August 15, 2016
Elsinore e o seu castelo
Passeio.
Entraram e saíram da minha vida como se se passeassem nela. Não limpavam os pés à entrada, deixaram marcas e, tantas vezes, nem ouvia a porta (da vida) bater: de repente o vazio ou o silêncio.
Pessoas, amigas, amores.
Vivos sem rosto ou mortos no tempo.
Se procurasse, fazia uma lista grande de desaparecidos; ou apenas, e tão somente, dos que não sei o destino.
De Mário Cesariny a parte do poema "You are welcome to Elsinore", lugares míticos.
"...
Ao longo das muralhas que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinore
..."
Entraram e saíram da minha vida como se se passeassem nela. Não limpavam os pés à entrada, deixaram marcas e, tantas vezes, nem ouvia a porta (da vida) bater: de repente o vazio ou o silêncio.
Pessoas, amigas, amores.
Vivos sem rosto ou mortos no tempo.
Se procurasse, fazia uma lista grande de desaparecidos; ou apenas, e tão somente, dos que não sei o destino.
De Mário Cesariny a parte do poema "You are welcome to Elsinore", lugares míticos.
"...
Ao longo das muralhas que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinore
..."
Friday, July 29, 2016
Mar e Lua
Quantas vezes falei à lua
e quantas vezes olhei o mar?
Muitas, depois dos 11 anos, quando vivíamos a passos da praia
e nos invadiam aos fins de semana, regurgitavam
- as famílias que se esqueceram de nós -
e o tal marido ia à pesca, sempre atento às marés,
e a avó trabalhava tanto
e eu,
o campo que tínhamos de cuidar. Madrugadas e noites.
E as tuas mãos longas-brancas - dizia a Sarinha "mãos de prata" e era para mim o mais belo, este dizer - no escondido de ti, na intimidade de ti, no que nunca compreendi de ti, desse atamento.
Também um dia não ficarei, não estarão as rochas que espreitava,
serão outras, que vem a areia, que vem o vento, que vem a água
que o tempo (se) passa
e ninguém saberá
das minhas mãos diferentes-morenas e
atamentos.
e quantas vezes olhei o mar?
Muitas, depois dos 11 anos, quando vivíamos a passos da praia
e nos invadiam aos fins de semana, regurgitavam
- as famílias que se esqueceram de nós -
e o tal marido ia à pesca, sempre atento às marés,
e a avó trabalhava tanto
e eu,
o campo que tínhamos de cuidar. Madrugadas e noites.
E as tuas mãos longas-brancas - dizia a Sarinha "mãos de prata" e era para mim o mais belo, este dizer - no escondido de ti, na intimidade de ti, no que nunca compreendi de ti, desse atamento.
serão outras, que vem a areia, que vem o vento, que vem a água
que o tempo (se) passa
e ninguém saberá
das minhas mãos diferentes-morenas e
atamentos.
Monday, May 9, 2016
Cravos e distância
Deixo cravos, deixo espaços do ar, e
mais flores,
nesta plataforma estonteante que é a vida, os sustos e prazeres.
(nem tinha visto que mais de 2 meses passaram... e eu sem tempo. O que não quer dizer, neste caso, intemporal).
Talvez, como as pessoas, as cidades amam-se ou odeiam-se melhor quando as conhecemos bem.
mais flores,
nesta plataforma estonteante que é a vida, os sustos e prazeres.
(nem tinha visto que mais de 2 meses passaram... e eu sem tempo. O que não quer dizer, neste caso, intemporal).
Talvez, como as pessoas, as cidades amam-se ou odeiam-se melhor quando as conhecemos bem.
Friday, February 26, 2016
Dia de Anos
86 anos.
Desapareceu "O Chiadinho", é uma loja de ninharias agora, como muitas que há por todo o lado. Pesa-me andar por ali, se calhar escrevia um livro de memórias só a contar as histórias daqueles lugares. Num raio de 500 metros passava-se a nossa vida toda!
Se tu visses como estão diferentes as ruas... o jardim, as casas: e eu.
Tu, nem sei, só me existes de pensar.
Desapareceu "O Chiadinho", é uma loja de ninharias agora, como muitas que há por todo o lado. Pesa-me andar por ali, se calhar escrevia um livro de memórias só a contar as histórias daqueles lugares. Num raio de 500 metros passava-se a nossa vida toda!
Se tu visses como estão diferentes as ruas... o jardim, as casas: e eu.
Tu, nem sei, só me existes de pensar.
Sunday, January 24, 2016
Dia de voto
Hoje fui votar como sempre, convencida do melhor, da utopia. Levei um alfinete da minha sogra na camisola. Sei que ela iria gostar; e que gostaria, mesmo com alguns anos em cima dos noventa e as costas curvadas, que a fossem buscar para "ir pôr o voto".
(estes lugares são estranhos, dão-me muitas vezes para mais nostalgia)
(estes lugares são estranhos, dão-me muitas vezes para mais nostalgia)
Tuesday, December 8, 2015
8 Dezembro 1947
Era feriado e dia da Mãe. Casaram há 68 anos, ele morreu depois dela, passados 2 meses: como se quisessem continuar juntos, no nada.
São um mistério do entendimento desentendido, para mim.
Mas não interessa: lembrei-me deles.
Tuesday, November 24, 2015
A propósito de ruínas
Há 3 anos cortaram a árvore que adoçava, e quase escondia, a ruína ao lado. As casas, notei-o logo que as vi há mais de 40 anos, eram em estilo inglês, recuadas com um jardinzinho, um lanço de escadas para a porta, quintal atrás.
Este plátano fazia parte da minha vida aqui, regulava-me as estações lá fora.
Imagino-o.
...que remédio tenho eu?
Este plátano fazia parte da minha vida aqui, regulava-me as estações lá fora.
Imagino-o.
...que remédio tenho eu?
Wednesday, October 28, 2015
Águas
Descobri hoje a casa dos meus pais a alugar naqueles lugares (ia dizer lugarejos) da nova democracia (ganha dinheiro com qualquer coisa e a qualquer preço e melhor ainda se for "por baixo da mesa").
Nada de especial que não saiba à volta do meu mundo conhecido.
O que me faz vir "a água" aos olhos são as particularidades deste negócio "da china". A crise, os anos de espera, as despesas, fizeram-nos vender o apt através duma agência e por metade do valor por que foi comprado há mais de 20 anos: com uma grande parte das mobílias e electrodomésticos. A jovem madama fez-nos a vida negra com atrasos em prazos estabelecidos, pedinchices e exigências; nem lhe quisemos ver a cara.
E os bancos "emprestam" dinheiro não para "habitações para viver" mas para rendimento!
Tantas vezes, na minha vida de emprego, família, amigos, ignorar as coisas teria sido mais benéfico para mim. Para que não me consumisse com justiças e igualdades de direitos e deveres.
É a água de Outubro que me sobe.
Nada de especial que não saiba à volta do meu mundo conhecido.
O que me faz vir "a água" aos olhos são as particularidades deste negócio "da china". A crise, os anos de espera, as despesas, fizeram-nos vender o apt através duma agência e por metade do valor por que foi comprado há mais de 20 anos: com uma grande parte das mobílias e electrodomésticos. A jovem madama fez-nos a vida negra com atrasos em prazos estabelecidos, pedinchices e exigências; nem lhe quisemos ver a cara.
E os bancos "emprestam" dinheiro não para "habitações para viver" mas para rendimento!
Tantas vezes, na minha vida de emprego, família, amigos, ignorar as coisas teria sido mais benéfico para mim. Para que não me consumisse com justiças e igualdades de direitos e deveres.
É a água de Outubro que me sobe.
Saturday, October 10, 2015
Não chegará o dia
...mas ficam os sonhos que comandam a vida minha.
Sempre. Vários com denominadores comuns: natureza, arte, evasão, estética.
Nos sentimentos como nos gostos.
A casa que eu poderia escolher na minha imaginação, era esta. Espaço, montes atrás, barco na água pequena, mar depois da areia, língua coleante que os caprichos dele fazem e desfazem. Um dia a olhar a ria é um filme sobre viver e sobreviver; ou renascer, na água, nos animais e plantas que dela se alimentam.
Corvos marinhos a secar as asas, árvores à frente...
mas não tantas que não me deixassem ver o infinito.
Hei-de falar sobre o barqueiro que nos conta coisas do lugar.
Sempre. Vários com denominadores comuns: natureza, arte, evasão, estética.
Nos sentimentos como nos gostos.
A casa que eu poderia escolher na minha imaginação, era esta. Espaço, montes atrás, barco na água pequena, mar depois da areia, língua coleante que os caprichos dele fazem e desfazem. Um dia a olhar a ria é um filme sobre viver e sobreviver; ou renascer, na água, nos animais e plantas que dela se alimentam.
Corvos marinhos a secar as asas, árvores à frente...
mas não tantas que não me deixassem ver o infinito.
Hei-de falar sobre o barqueiro que nos conta coisas do lugar.
Wednesday, August 26, 2015
Paris à volta de,
A tentar manter o equilíbrio, do que gosto e desgósto (errado? mas não é desgôsto, é mesmo desgósto).
Pesam-me ausências na cabeça,
pesa-me silêncio vazio no "permanecer", apesar de.
Pesam-me ausências na cabeça,
pesa-me silêncio vazio no "permanecer", apesar de.
Friday, August 7, 2015
De Agosto
...levo o desejo.
De Paris au mois d'août.
"Pour te dire je t'aime/aussi loin que tu sois/une part de moi-même/reste accrochée à toi"
Je me souviens de tous les mots, des chansons, des boulevards, de la jeunesse, de la tendresse.
Revenir. Jusqu'à la fin des jours.
De Paris au mois d'août.
"Pour te dire je t'aime/aussi loin que tu sois/une part de moi-même/reste accrochée à toi"
Je me souviens de tous les mots, des chansons, des boulevards, de la jeunesse, de la tendresse.
Revenir. Jusqu'à la fin des jours.
Wednesday, June 17, 2015
Junho (a)meia-se
"As coisas não são como tu as queres
mas como elas se apresentam"
Lembrei-me deste dito do meu pai, quando me queria contrariar; e eu que via sempre tudo por alegorias e era "um espírito de contradição" (este era um dito da minha mãe!).
Assim
vejo a árvore-morta-que-ficou-escultura
os raios dos poentes metáforas-de-adeus entre os brilhos da tarde
as flores-alface
Apresentam-se como são, vejo-as como as imagino.
mas como elas se apresentam"
Lembrei-me deste dito do meu pai, quando me queria contrariar; e eu que via sempre tudo por alegorias e era "um espírito de contradição" (este era um dito da minha mãe!).
Assim
vejo a árvore-morta-que-ficou-escultura
os raios dos poentes metáforas-de-adeus entre os brilhos da tarde
as flores-alface
Apresentam-se como são, vejo-as como as imagino.
Sunday, May 3, 2015
... e Maio arranca
No labirinto das semanas e no compassado rodar dos dias.
Entre cá e lá, fora e dentro, como diria a Vitorinha.
Foi dia da mãe na 5ª feira: e do pai. Tratei do resto, das pessoas ligadas, do que me cabia escutar de memórias de outros. Despedi-me do rádio do início dos anos 60, o que tinha FM e onde ouvia o "Em Órbita", o "Alegria ao Volante"...
Tive o gosto de visitar devagar esta galeria - e outras - e outros. Cabeça e pensamento interior, de volta e à volta, com que tempo soltarei as "minhascoisassoltas"?
Entre cá e lá, fora e dentro, como diria a Vitorinha.
Foi dia da mãe na 5ª feira: e do pai. Tratei do resto, das pessoas ligadas, do que me cabia escutar de memórias de outros. Despedi-me do rádio do início dos anos 60, o que tinha FM e onde ouvia o "Em Órbita", o "Alegria ao Volante"...
Tive o gosto de visitar devagar esta galeria - e outras - e outros. Cabeça e pensamento interior, de volta e à volta, com que tempo soltarei as "minhascoisassoltas"?
Saturday, April 11, 2015
... Abril vai
E o meu coração balança e bate.
No ritmo dos calores e ventos que vieram de repente.
E na pressa de rever os lugares tão especiais, os que fizeram os meus verdes anos e os meus inquietos 40. Cogito nas minhas décadas e todos os desejos de mudança que fui atravessando ou sendo empurrada pelos acontecimentos.
"...toda a quimera se esfuma
como a brancura da espuma
que se desmancha na areia."
(mais uma canção antiga! e no passado revejo tantas lições)
No ritmo dos calores e ventos que vieram de repente.
E na pressa de rever os lugares tão especiais, os que fizeram os meus verdes anos e os meus inquietos 40. Cogito nas minhas décadas e todos os desejos de mudança que fui atravessando ou sendo empurrada pelos acontecimentos.
"...toda a quimera se esfuma
como a brancura da espuma
que se desmancha na areia."
(mais uma canção antiga! e no passado revejo tantas lições)
Thursday, March 12, 2015
Março chega
... com os seus ventos de mudança, o pólen inquieto que muda de lugar, as sementes que voam para um regaço de terra que as acolha. Como acolhe a morte, recebe a vida.
Que encontro marcar a uma pedra caída?
1 de Fevereiro é passado sem que consiga explicar a madrugada que tive, e porquê, o dia que era domingo e assim ficou, aberto na inquietude. Porque tudo deveria ter um princípio, um meio e um fim.
Se olhar o musgo dos anos passados, ele ainda me olha.
Por mais que se fique pardo e parado, confuso, há sempre o mundo que gira à volta e se fia nos fios das Parcas.
Que encontro marcar a uma pedra caída?
1 de Fevereiro é passado sem que consiga explicar a madrugada que tive, e porquê, o dia que era domingo e assim ficou, aberto na inquietude. Porque tudo deveria ter um princípio, um meio e um fim.
Se olhar o musgo dos anos passados, ele ainda me olha.
Por mais que se fique pardo e parado, confuso, há sempre o mundo que gira à volta e se fia nos fios das Parcas.
Subscribe to:
Posts (Atom)













