Gigante, cheia de sinais. Aflição continuada de não os (re)conhecer nem (de)cifrar.
Do livro "O Leitor" de Bernhard Schlink
"Pensei que, quando se deixa passar o momento certo, quando alguém recusou algo tempo de mais, quando nos é recusado algo tempo de mais, esse algo chega forçosamente demasiado tarde mesmo que seja realmente desejado com força e acolhido com alegria. Talvez "tarde de mais" não exista, apenas tarde, e "tarde" seja sempre melhor que "nunca"? Não sei."
... sinto o que esta planta sente. E volto-me para o interior das folhas. (parece-me que a natureza humana divide, nos canteiros das suas vidas, cada vida. Ou será porque corações são tantas vezes cactos escondidos? Eu gosto tanto do campo e o ser expontâneo crescer flor entre ervas!)
E há também a palmeira que se julga alta, tão frágil nas mãos abertas em azul. Dobra, não parte. Ainda.
Um mês depois de lembrar os jardins de Bagatelle. Oito anos passados as flores estarão lá, nunca as mesmas que vi.
Ando pela beira da praia de todo o meu tempo. Entre as ondas cavadas e retendo um pouco do sol poente. A luz não demorará a ir embora, para um dia outro, um diferente lugar.
Apesar de sentir 6º do frio na noite, há como que um perfume espalhado. O que será que o sol durante o dia despertou nos ramos da minha árvore? Nos vasos dos vizinhos? Nas trepadeiras dos muros velhos? Imperceptíveis mudança de seiva. Que me chegariam. Deveriam chegar-me. Para saber de outro tempo onde se aconchegarão as cores e os troncos as flores e as aves.
Há décadas atrás não havia condomínios virados para o rio. Os domínios iniciavam-se em mim. Hoje sou uma margem organizada, de certa maneira não agradável. Mas para alívio de todos, estou no meu lugar. Acanhada nas margens.
Nenhuma cor consegue quebrar o espessante nevoeiro. Instalado nas vidas que passam lá fora. Entra-me pelos vidros e espalha-se no descontente chão do meu tempo.